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Crimes do passado nas mãos de novos criminosos

08/05/2012

Olhar para o passado não é crime.

Lembremos dos Holocaustos do século XX, Vietnã, Massacres, Ditaduras; mais atrás, Absolutismos, Tráfico de escravos, Inquisição.
Olho os jornais e vejo manifestantes pró-democracia sendo espancados. Partidos religiosos tomando cargos no governo. Igrejas monoteístas fanáticas reprimindo a votação de leis democráticas. Frentes nazistas se erguendo na Europa e todo tipo de velhos pesadelos irradiam suas reações. Grécia, França, Alemanha, Espanha, Itália. Aos Estados Unidos da América interessam os migrantes endinheirados. O Cartão de Crédito é o novo Green Card. Mas cubanos, não passarão. Refugiados de regimes totalitários, não passarão. Veremos por todo século XXI massacres que começarão com alegações sobre a crise financeira e novos planos de austeridade fiscal trarão a fome e a guerra civil. Países caracterizados por seu isolamento cultural serão atacados – novos Iraques, Vietnãs, Japães? Países como o Brasil não demorarão a fechar suas fronteiras – para alguns povos, um país que ainda não entrou em plena decadência é melhor que um de economia morta. Recebemos Haitianos, Bolivianos, Venezuelanos. Já começamos a receber em maior número Coreanos, Norte-Americanos e Europeus. E virão mais. É o rodízio capitalista. Antes, fomos o país da oportunidade, décadas depois nós é que desejávamos ir a outros países em busca de salário. Agora, com a imagem que vendemos, estão comprando nossas reservas trabalhistas. Depois chegará definitivamente a crise aqui – que o presidente ou presidenta de então nos dirá que é uma nova e inesperada crise – quando os mercados mundiais não comprarem nossa matéria-prima, nosso suco de laranja, nossa carne bovina.

Estamos distraídos. Resignados.

As redes sociais são o novo sonífero do povo. Escrevemos, lemos, opinamos, fazemos “pressão” – principalmente sobre o sofá da própria casa. Mas para as coisas mudarem de fato, teremos que passar por muita dor. Quem propõe derrubar o regime socioeconômico vigente não faz ideia do passo-a-passo para estabelecer uma nova agenda para as nações.

A crise chegou a alguns fornecedores do varejo e empresas de serviços. Mas ninguém ouviu seus pés-de-pombo. Empregos estão sendo cortados, grandes instituições falam internamente em cortes de 50% dos funcionários e só saberemos oficialmente disso daqui a um ano quando houverem estatísticas permitidas, ou inevitáveis.

E não parece estranho que o governo esteja preocupado com nosso bem-estar, baixando juros ao consumidor?
A mensagem que ouço dentro de mim,  causada pelos discursos públicos é “não parem de comprar, paguem suas dívidas e façam novas prestações”. Será a “nova classe média” a salvadora da pátria?

Pergunto-me se é um ciclo ridículo da humanidade.
Pergunto-me qual meu papel possível nisso, num mundo que não é dicotômico há mais de vinte anos.

AlfajoR

Dificuldade das Coisas

28/10/2010

Isso que se chama de homem agora pode ser raspado psicanaliticamente.

Karl Kraus, Aforismos

Como encarar democraticamente as eleições em que elegemos representantes? Qual dentre nós permitiria ser representado por alguém em qualquer ocasião se mesmo os advogados tendem mais a acordos que a  fazer defesas incisivas? Tanta tecnologia e não nos permitem votar as grandes questões diretamente? É preciso ir à praça e infernizar o trânsito, bloquear as ruas e assinar listas de petições para que sejamos ao menos ouvidos, ainda que não atendidos?

Estamos condenados à revolta ou aprenderemos a agir democraticamente?

 

CASO NARDONI

22/05/2010

Já faz algum tempo que tento escolher as palavras certas para me pronunciar sobre o assunto. A verdade é que um tema muito delicado e que envolve um dos sentimentos mais fortes na cultura brasileira que é a instituição da familia. Acredito que foi uma das maiores mobilizações populares pedindo por justiça, todos abismados com aquela realidade. Pois eu tenho algo a mais a dizer, além do óbvio.

Esta realidade é diária. Este caso foi apenas um em uma família de classe média que a mídia deu uma atenção em algum momento de crise política. Gostaria que alguém me respondesse quantas pessoas não morrem futilmente todos os dias nas ruas dessa grande metrópole, quantas crianças e jovens não perdem sua vida dentro das favelas, mortos pela guerra do trafégo. E a miséria para qual fechamos a janela do carro todos os dias. A violência, a corrupção, o preconceito, será que nada disso também não precisa de nossa atenção? Só a Isabella merece justiça? Quantos outros sem nomes perdem sua vida por causa de dez reias, de um celular, de uma carteira vazia, de uma irresponsabilidade. Estes também não merecem nosso grito de justiça, a nossa mobilização? Achei muito positivo o que aconteceu no caso dos Nardoni e gostaria de convocar aquelas pessoas que estiveram na frente do fórum a protestarem contra o salário de todos os políticos, contra a falta de segurança, de emprego, de higiene, de hospitais adequados, de transporte, e tantos outros direitos que são arrancados de nós diariamente e nós nem se quer levantamos do sofá para reclamar. Aceitamos as transgressões calados. Não precisamos da telivisão para ver a miséria, para conviver com a violência e medo. Não precisamos que nos mostrem atrocidades. Basta abrir a porta de sua casa e dar o primeiro passo para rua. Este caso, infleizmente, é só mais um entre tantos outros iguais. Que bom que foi feito justiça. Mas é pouco, muito pouco. Quantas outras famílias ficam desamparadas nesta cidade? O que este caso tem de diferente de tantas outras crianças que perdem sua vida diariamente nesta cidade, neste país e ninguém registra. É muita ingenuidade, é muita passividade de uma população só.

Gostaria, realmente gostaria, que existisse esta mobilização para todas injustiças cometidas neste país. Este caso mostrou que povo tem força, a questão é se ele quer lutar por uma vida melhor. Eu achava que era uma pergunta idiota, mas hoje acredito que precisa ser feita. Será que pediriamos dispensa de nossos empregos para protestar frente a prefeitura? Será que viajariamos do Píaui para São Paulo para ver a justiça sendo feita? Cadê o povo quando mais se precisa dele? A luta não acabou, para falar a verdade nem começou. Há muito o que fazer por este país, não adianta ir uma vez ao fórum e acreditar que cumprimos nosso papel de cidadãos.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

O PREÇO

16/03/2010

Há muito tempo atrás o homem vivia em harmonia com a natureza, plantando e caçando para seu sustento. As armas foram inventadas quando surgiu a necessidade de homens matarem outros homens. Desde então fronteiras, invasões, colonizações, ideologias, diferenças, poder, religião, tudo foi usado como desculpa para matar. Hoje o mundo já se desfez da necessidade das desculpas.

Pega-se um táxi e então resolve-se espancar, atropelar e jogar no rio o taxista. Invade-se a casa de uma pessoa que tentou te ajudar para seqüestrá-lo e mata pai e filho. Ambas das situações nenhum um motivo sequer. Nada, nem a mera tentativa de se justificar. As mortes das guerras de antes eram tão sem sentido como estas. Mas o ponto que chegamos é algo assustador. A normalidade disto tudo. A indiferença de tirar uma vida. O que era para ser direito pleno de todos, um dia se colocaram um preço e movimento de mercado levou a isto: não se vale nada.

É triste, é angustiante e é amedrontador. O que dá mais medo é que essas pessoas surgiram da nossa sociedade. Nós criamos uma pessoa que é tão excluída a ponto de sentir sua vida sem preço, sem objetivo e automaticamente a dos outros também se torna. É a miséria que ignoramos, a violência da qual nos escondemos, o governo do qual nos desconectamos, são as nossas lutas que abandonamos todo santo dia. Precisamos seriamente mudar nossa atitude como sociedade, ou nossa vida será cada dia mais, sem propósito.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Nos limites da Cidade

24/01/2010

A cidade é um caos. Trânsito a qualquer hora do dia, poluição, violência. Qualquer incidente pára a cidade, ainda mais quando naturais e inevitáveis como a chuva. As pessoas são mal-educadas, não respeitam os lugares públicos e nem mesmo seus próprios lares. Consomem sem parâmetros, sujam, agem inconscientes e depois param em frente a tevê perguntando porque tanta coisa ruim acontece. A sociedade saturada uns com outros, desacreditas em mudanças, a mercê de qualquer governo. Pessoas que tentam ignorar os fatos para conseguir sair de suas camas e casas pela manhã, a ilusão de se preocupar apenas com si e esquecer o seu redor, a falsa mente limpa, de mãos lavadas, fazendo seu trabalho e mais nada. A vida se limita a suas preocupações, seus amigos, sua rotina e nada mais. O mundo é supérfluo e se viver o bastante já é o suficiente, que se importa com os anos além daqui? Mesmo com todos os sinais, os encontros casuais, as verdades nas esquinas, vamos apenas fechar a janela, trancar as portas e esperar a tempestade passar. Quando sairmos tudo vai estar bem.

Quem já tentou conviver em um apartamento pequeno, dividir uma cama, ou seja lá o que for vai entender o meu ponto de vista. Estamos em cubículo ou pelo menos transformamos a cidade nisso. Existem pelo menos cerca de 17 milhões de pessoas no mesmo espaço. Um ovo, um átomo, enfim, o que você quiser. O fato é que a população está muito além do que qualquer estrutura que São Paulo pudesse atingir. Há muito que fazer para mudar isto, sem dúvida, mas tudo começa conosco. Se não conseguirmos conviver entre nós mesmos com um pouco de respeito e paz, nada mais vai dar certo. Quando você divide uma casa com outras pessoas se não há limites, se não se respeitam, a casa vem a abaixo. Isto é São Paulo, uma casa desmoronando, que precisa mais do que nunca que nós estejamos juntos lutando por tudo e por todos que dela fazem parte. E acredite estamos muito próximos do limite.

Alguém pode me chamar de utópico. Mas estive na avenida Paulista domingo passado, nove horas da noite, tempo agradável. Andando pelas calçadas, a luzes são lindas por lá, algumas famílias caminhando, outros passeando com seus cachorros, todos convivendo bem. Nada de correrias. Apenas cada um no seu caminho, mas na mesma cidade. E faz você pensar: “Nossa como seria bom, se fosse sempre assim.” E pode ser.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

2012, o apocalipse e as previsões para o futuro

14/01/2010
por

Nas últimas semanas inúmeras catástrofes e acontecimentos abalaram o planeta, causando muitas mortes e deixando conseqüências seriíssimas. Homens bomba tentando derrubar aviões, agressões a políticos, deslizamentos de terra, terremotos, o caos instaurado por todos os lados logo no começo de mais um ano. Nessas horas surgem os ditos especialistas, com suas teses e explicações para estes fatos. Mas vamos atentar para um detalhe esquecido: de onde está vindo tudo isto senão da própria mão do homem?

Há tempos a discussão ecológica vem sendo tratada como prioridade, mas factualmente nada de concreto aconteceu. Tivemos a Eco 92, Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que iniciou as discussões sobre a adoção de um desenvolvimento sócio economico mais racional, minizando as agressões ao meio ambiente. Pelos anos muitos tratados e compromissos foram firmados pelos países. Foi criado o protocolo de Kyoto, um documento no qual os países desenvolvidos (e os em desenvolvimento proporcionalmente) têm a obrigação de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. Muitas discussões e discursos pomposos, mas na prática vemos a repetição dos mesmos erros. E cá entre nós, é dificil de acreditar que exista um horizonte real de mudança neste cenário.

O terrorismo e as ideologias políticas são outros exemplos do extremismo e da arrogância humanas. Durante toda sua história os homens brigaram (e continuam brigando) pelo poder. A necessidade de ser mais forte do que o outro é um fardo inerente ao ser, uma característica pessoal de todos. Líderes com relatos inflamados se aproveitam da condição social de pobres coitados para convocá-los a cometeram atos suicidas, condição que os torna heróis de seu povo. Ou então propagam discursos racistas, xenófobos, de agressão religiosa, palavras que são assimiladas por seus “seguidores” em sua maioria pessoas desprovidas de melhor sorte na vida, que dedicam-se a acompanhar e tomar como verdades aquilo que recebem com “carinho” e “atenção” de seus líderes.

Evidentemente que existem outras inúmeras discussões em torno destes temas. Mas o foco sempre será a causa. Buscar um mundo mais igualitário somente será possível quando o homem se livrar de seu egoísmo e orgulho. Pense bem e veja que na raiz das guerras, da pobreza, da destruição, da desigualdade, do horror, sempre tem alguém querendo derrotar alguém. É dificil afirmar, ou pelos menos especular o que será do amanhã. Mas certamente temos que aceitar que dificilmente teremos amanhã se não começarmos a mudar nossos “hojes”

Murillo Arneiro

NATAL

13/12/2009

O natal chegou e o governo generosamente já estava nos comprando Panetones, que maravilha não? O melhor é o que se ouve por aí: “Ta vendo mensalão não é só do PT”. Como é triste não perceber que, o que importa não é quem faz, mas o palhaço que é roubado é o mesmo, você!

Ficar contra um partido, desacreditar em um político, nada disto é realmente válido, todos estão rindo da nossa cara. Faces que inclusive se espantam a cada escândalo. Não sei como já não estamos acostumados e como não fizemos nada, absolutamente nada, para isto mudar. Não importa quem, importa que continuam nos roubando sem o mínimo pudor, sem o mínimo peso na consciência. Se alguém teve a oportunidade de ver as câmeras escondidas é impressionante a tranqüilidade com que se pega o dinheiro da mesa e se guarda nos bolsos. “medo que possam roubar” hora já que é para os Panetones porque não contratar uma transportadora de valores, porque não transferir para uma conta do governo destinada a estes fins, para que se arriscar tanto? Desculpem, mas está cada dia mais difícil de engolir tudo isso. Uma cidade em caos, violência a cada esquina, e tudo que se paga em impostos é meramente em vão. Não tem como não se sentir um idiota vendo tudo isso, você que sai todo dia às 4 da manhã para trabalhar pega o trem cada dia mais lotado, tem agüentar a falta de educação, uma exploração pelo seu trabalho, voltar pra casa e ver isto na tevê. Por que, por que ainda estamos sentados nos sofás? Sabemos onde eles estão, e temos direitos.

Sim, protestos têm sido feitos, mas agora é pouco, e isso devia ser constante, deveríamos estar fiscalizando que esses ditos nobres políticos estão fazendo por nós. É pouco, pois caso você não tenha notado, praticamente ninguém foi preso em nenhuma dessas ondas de escândalos, duvido você me citar 3, se achar um já é muito.

Ser brasileiro por muitas vezes é amargo, revoltante, pequeno. É desesperador olhar para essa massa de pessoas e enxerga-las todas apáticas diante de um país que grita por ajuda.

Feliz Natal

Ass:Danilo Mendonça Martinho

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