O PREÇO
Há muito tempo atrás o homem vivia em harmonia com a natureza, plantando e caçando para seu sustento. As armas foram inventadas quando surgiu a necessidade de homens matarem outros homens. Desde então fronteiras, invasões, colonizações, ideologias, diferenças, poder, religião, tudo foi usado como desculpa para matar. Hoje o mundo já se desfez da necessidade das desculpas.
Pega-se um táxi e então resolve-se espancar, atropelar e jogar no rio o taxista. Invade-se a casa de uma pessoa que tentou te ajudar para seqüestrá-lo e mata pai e filho. Ambas das situações nenhum um motivo sequer. Nada, nem a mera tentativa de se justificar. As mortes das guerras de antes eram tão sem sentido como estas. Mas o ponto que chegamos é algo assustador. A normalidade disto tudo. A indiferença de tirar uma vida. O que era para ser direito pleno de todos, um dia se colocaram um preço e movimento de mercado levou a isto: não se vale nada.
É triste, é angustiante e é amedrontador. O que dá mais medo é que essas pessoas surgiram da nossa sociedade. Nós criamos uma pessoa que é tão excluída a ponto de sentir sua vida sem preço, sem objetivo e automaticamente a dos outros também se torna. É a miséria que ignoramos, a violência da qual nos escondemos, o governo do qual nos desconectamos, são as nossas lutas que abandonamos todo santo dia. Precisamos seriamente mudar nossa atitude como sociedade, ou nossa vida será cada dia mais, sem propósito.
Ass: Danilo Mendonça Martinho